2 anos do desastre | Pessoas atingidas propõem medidas para gerar empregos e estimular produção

O rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho (MG), e a passagem da lama pela Bacia do Rio Paraopeba, desencadeou o aumento do desemprego e segue, após dois anos do desastre sociotecnológico, provocando uma série de fatos que inviabilizaram a prática de diferentes atividades econômicas e produtivas na região.


A contaminação da água do rio afetou diretamente a agricultura, a pesca, a criação de animais, e o turismo, entre outras atividades de geração de renda, e, consequentemente, retirou milhares de pessoas de suas fontes de trabalho e renda. A dificuldade na produção e o desemprego intensificaram a vulnerabilidade econômica de muitas famílias, que antes já sofriam para garantir a alimentação diária.


Para responder a essas demandas emergenciais e mitigar os danos ao direito ao trabalho causados pelo desastre em Brumadinho, a Matriz de Medidas Emergenciais Reparatórias apresenta uma série de medidas para amenizar os impactos causados à economia local. O documento foi elaborado por meio de diálogos com mais de nove mil atingidos das regiões 1 (Brumadinho) e 2 (Betim, Igarapé, Juatuba, Mário Campos e São Joaquim de Bicas) da Bacia do Paraopeba, promovidos pela Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas).


As medidas propostas pelas pessoas atingidas relativas à economia, trabalho e renda foram organizadas em duas categorias: da reparação e melhoria por meio da implantação e/ou fomento de iniciativas e políticas; e da reparação e melhoria de assistência técnica e capacitação profissional por meio da implantação e/ou fomento de programas.


O que significa viver em um território pós-desastre


O pequeno produtor e piscicultor Adilson Ramos Martins, de 44 anos, viu seu projeto de vida mudar de uma hora para outra após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. “É uma realidade que a gente nunca imaginava e não temos nenhuma expectativa de volta ao normal. Sem água a gente não consegue fazer nada”.


Ele mora há sete anos na cidade de Mário Campos, na Reta do Jacaré, às margens do Rio Paraopeba. “É um sentimento que não dá para explicar, era uma vida bem tranquila que imaginava levar para o resto da vida. Envelhecer no lugar, criar os filhos, mostrar para eles o processo, tirar dali o sustento e de repente tudo mudou”, conta.


Desde o rompimento, a mineradora Vale foi obrigada a fornecer água para a piscicultura. “Porém a água que eles fornecem contém cloro e mata os peixes e não dá um desenvolvimento saudável para os animais”, contextualiza Adilson. Ele também relata que tiveram que reduzir as plantações por conta da falta de água constante na região. “Desde então recebemos caminhões de água potável, porém, essa água é imprópria e insuficiente para produção e até mesmo para qualidade e desenvolvimento da horta”, explica.



Criação de Programa Econômico


A criação de um Programa Econômico, com foco na comercialização de produtos de empreendimentos cooperativados e fortalecimento de grupos auto-organizados e afins, é uma das medidas reparatórias emergenciais que constam na Matriz. A extensão dos danos provocados pelo rompimento da barragem da Vale impactou negativamente a economia, o trabalho e a renda da população.


Além disso, as pessoas atingidas também veem como uma medida reparatória emergencial a necessidade de estimular e diversificar a economia local, tendo como objetivo a geração de trabalho e renda para as trabalhadoras/es, agricultoras/es, produtoras/es, povos e comunidades tradicionais.


O Programa Econômico consistiria na criação de projetos de financiamentos subsidiados, formação técnica, programa de reestruturação de cooperativas populares e grupos auto-organizados.


Por que essa medida é urgente?


Essa medida é urgente porque sua efetivação contribui para impedir o agravamento das situações de vulnerabilidade dos atingidos e atingidas para que possam restabelecer sua fonte de trabalho e renda. O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho gerou uma desarticulação das atividades socioeconômicas e intensificou o processo de vulnerabilidade enfrentado por esses grupos.


Confira a íntegra da Matriz da R1:


20210108_AEDAS_PAR_R1_JUR_MATRIZMEDIDASE
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Confira a íntegra da Matriz da R2:


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