A importância de compreender os problemas do povo

Vibrante. O II Módulo de Formação do Projeto Veredas Sol e Lares foi marcado pela energia de cerca de 80 jovens pesquisadores populares que estiveram reunidos em Araçuai, Vale do Jequitinhonha/MG, entre os dias 01 e 04 de junho de 2019. Marcado pelas trocas de experiências individuais e coletivas, o seminário teve o caráter de aprimorar as atividades da pesquisa social que eles estão desenvolvendo nos 21 munícipios de abrangência do Projeto, encaminhar novas etapas e ampliação das atividades.



O Veredas Sol e Lares é um projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D), fruto de uma proposta apresentada e executada pela AEDAS (Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social) a um edital da CEMIG. O Projeto prevê a instalação de uma Usina Fotovoltaica Flutuante (UFVf) sobre o lago da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) de Santa Marta, município de Grão Mogol/MG, que irá atender a região e gerar benefícios para aproximadamente 1200 famílias da região.


Contudo, para a construção e instalação da UFVf, prevista para começar as obras em agosto de 2019, outras etapas essenciais do projeto movimentam os Vales do Jequitinhonha e Rio Pardo. Conhecer e compreender os problemas do povo é o desafio que move os 80 pesquisadores populares. O grupo é formados por jovens estudantes dos IF (Institutos Federais), Escola Família Agrícola, Escolas Estaduais, graduandos e mestrandos da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), um doutorando da PUC Minas e militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB. Essa equipe de pesquisadores populares constrói junto com o povo a complexidade de demandas que envolvem os impactos de empreendimentos predatórios na região. Além de buscar alternativas para mitigar esses impactos sobre o povo, a pesquisa prevê a elaboração de um plano de desenvolvimento para os Vales do Jequitinhonha e Rio Pardo.



Após 7 (sete) meses de coleta de dados, organizados e categorizados através de uma parceria com o Observatório dos Vales e Semiárido Mineiro, a pesquisa foi o objetivo principal desse seminário de formação. Reafirmar os valores de um pesquisador popular e a relevância dos dados gerados por essa atividade que é inédita no Brasil, norteou a formação pela qual passaram. Os agentes provocadores das conversas, traziam discussões conceituais que promoviam ações reflexivas. Provocavam, por exemplo, sobre a diferença entre ser um pesquisador realista, de ir a campo conhecer a realidade, em contraponto à um pesquisador idealista, que trabalha distante da realidade, a partir de análise de dados apenas. Isso ajudou a clarear a forma como esses jovens atuam nas suas microrregiões. As conversas eram momentos de troca de experiências, dúvidas e aprendizados vividos em campo. Além claro de bons momentos descontraídos pela energia juvenil.


Nathiele Souza de 17 anos e moradora de Capelinha/MG, é um exemplo de como as experiências vividas no Veredas Sol e Lares proporcionam mudanças na forma que esses jovens percebem a realidade. “Para mim foi uma experiência mágica, de sair da zona de conforto, perceber que a comunidade tem problemas diferentes e me sentir parte daquilo e querer transformar aquela realidade. Isso tem me humanizado muito.” A jovem completa dizendo que, “as vezes você chega em uma comunidade querendo mudar por suas próprias mãos, mas a partir dessa formação eu vi que não. O povo tem que estar junto. Porque quando você conquista uma coisa com você mesmo fazendo é totalmente diferente do que conquistar pela luta de outra pessoa. Então é importante a participação do povo, nas lutas deles mesmos”.



Além da parte conceitual, foi reforçada a aplicabilidade sobre a utilização das ferramentas que os pesquisadores utilizam. Fabrício Pereira de 18 anos e morador da comunidade do Jacaré, em Itinga/MG, destacou a didática usada para esclarecer dúvidas sobre o armazenamento virtual, nas chamadas nuvens: “esse negócio de drive eu estava na dúvida”. Ele disse que com os cartazes que eles foram fazendo e a prática de categorização dos dados, as coisas ficaram mais fáceis de entender. É que muitos dos jovens pesquisadores são estudantes secundaristas e não possuem convívio diário com o universo de pesquisa acadêmica. Por isso, a sistematização dos dados, organização em plataformas de armazenamento e análise dos relatórios também foi abordada nesse seminário.


O jovem Jhon Kennedy, 21 anos, da cidade de Taiobeiras/MG, foi um dos responsáveis em cuidar da noite cultural, uma confraternização de encerramento do projeto. Momento de muita alegria, uma interação além das relações de troca de saberes e que permitiu também a participação das mulheres que estavam na tarefa da cozinha e na ciranda, cuidando das crianças. Como a atividade foi realizada em junho, o forró deu o tom da noite que terminou com o anarriê de uma quadrilha bem animada. Para Jhon, os momentos da festividade permitem “resgatar a cultura” e não deixar os saberes se apagarem.


Foram dias intensos, estudos, debates, abraços e ação. Os jovens pesquisadores retornam para suas micro-regiões e partem com a tarefa de aplicar todo esse aprendizado compartilhado, para continuar a levantar os dados que irão contribuir para que o objetivo de pensar o “Desvale” que é como tem sido chamado esse novo modelo de desenvolvimento para os vales do Jequitinhonha e Rio Pardo. Um modelo que prevê, acima de tudo, a participação social.


Conheça o Vale do Jequitinhonha e Rio Pardo pelos olhares do jovens pesquisadores! O vídeo foi realizado durante o Seminário, na atividade que promoveu uma Instalação Pedagógica



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