Aedas constata “problema generalizado” no acesso à água e cobra retomada de visitas técnicas

Um levantamento amostral sobre distribuição e qualidade da água da Copasa realizado pela Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas) constatou que há uma generalização do aumento de problemas com a água da empresa no universo das famílias atingidas dos municípios de Brumadinho (R1), Mário Campos, Betim, Juatuba e São Joaquim de Bicas (R2). A pesquisa foi realizada entre outubro e novembro de 2020, através de questionários aplicados com 600 famílias atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.


“Na perspectiva técnica da Aedas, com base no princípio da centralidade do sofrimento da vítima, compreende-se que as pessoas atingidas não sejam apenas ‘clientes’ da Copasa, elas continuam sendo revitimizadas pelo rompimento das barragens da Vale em Brumadinho uma vez que o mesmo impactou diretamente na capacidade da empresa fornecer água para toda a Região Metropolitana e também, para o território”, explica Lucas Vieira, coordenador territorial da Aedas na R1.


São diversos os problemas que as pessoas atingidas entendem estar relacionadas com a água fornecida pela COPASA. Segundo depoimentos das pessoas atingidas assessoradas pela Aedas, as principais queixas são:


● Coceira após o banho, náusea e vômito, diarréia etc.;

● Desabastecimento prolongado e/ou abastecimento por baixa pressão;

● Significativa porcentagem de percepção sobre a má qualidade da água, sendo constatados casos de água com cheiro forte e cor inapropriada (esbranquiçada ou escura);

● Aumento significativo das contas de água nas duas regiões;

● Alto índice de insegurança reportado quanto ao uso da água na Região 1 e Região 2;

● Agravamento dos danos à saúde física, mental e à renda das famílias atingidas da Região 1 e Região 2.


Na última semana, a Aedas e representantes de Comissões de Atingidos e Atingidas da R1 e na R2, que possuem problemas relacionados ao abastecimento de água da COPASA, participaram de uma reunião com a empresa para cobrar soluções e encaminhamentos para os problemas apresentados pelas pessoas atingidas. Dentre as reinvidicações, cobrou-se mais visitas da concessionária a fim de coletar amostras para análise da água, verificar os diversos problemas no fornecimento como baixa pressão, quantidade de cloro na água, turbidez (coloração barrenta) e até mesmo as interrupções do fornecimento nas comunidades. As visitas técnicas tiveram início em novembro de 2020 e não tiveram continuidade conforme acordado na primeira reunião com a empresa e o Comitê Pró-Brumadinho.


“O entendimento da Aedas e das Comissões de Atingidos é que deve-se dar continuidade à realização das visitas técnicas, haja vista a existência e persistência de muitos relatos de problemas sobre o fornecimento de água pela empresa”, comenta Demetrius Oliveira, coordenador da área temática socioambiental da R2. “Além disso, tendo em vista a complexidade dos impactos do rompimento da barragem sobre os recursos hídricos da bacia do Paraopeba e sistemas de abastecimento de água é necessária a realização de monitoramento continuado, que contemple campanhas de coleta e análise de amostras capazes de gerar informações cientificamente confiáveis à população atingida”, completou.


A necessidade de visitas técnicas surgiu a partir das denúncias realizadas pelos atingidos e atingidas nas Comissões e durante a realização dos espaços de Escuta Ativa, sejam nos Registros Familiares, nas reuniões dos Grupos de Atingidos e Atingidas (GAAs), de julho a setembro e; nas Rodas de Diálogos (RDs), entre setembro e outubro de 2020. “Em virtude disso, a Aedas encaminhou ao Comitê Pró-Brumadinho a solicitação de uma reunião com a Copasa e com a presença de lideranças das comissões das Regiões 1 e 2. Nessa reunião, ficou acordada uma rodada de visitas técnicas às casas das famílias atingidas por funcionários da empresa e equipes técnicas da Aedas”, contextualiza Demetrius Oliveira.


A reunião, ocorrida no último dia 22, deu continuidade às tratativas iniciadas no final de outubro de 2020 para criar um canal de diálogo entre a empresa e as famílias atingidas pelo rompimento da barragem da Vale. Participaram da reunião representantes da Copasa, do Comitê Pró-Brumadinho, da Coordenação Metodológica e Finalística da PUC; da Aedas e representantes das Comissões de Atingidos e Atingidas das duas regiões.


Também ficou acertado naquela reunião de que as questões emergenciais trazidas pelas Comissões de atingidos (como por exemplo, a interrupção no fornecimento e a falta de água potável para o consumo humano), precisam de uma resposta emergencial por parte da Copasa. Dentre as várias reclamações das comissões, solicitou-se que a empresas revisse as cobranças indevidas; que a mesma melhore sua capacidade operacional,


Durante a reunião, os representantes da Copasa se prontificaram a analisar os casos mais urgentes e fazer visitas nestes locais e reafirmaram a intenção de continuar com o diálogo e analisar todas as questões que a Aedas encaminhará em um documento que também será endereçado ao CPB, à Coordenação Metodológica e Finalística da PUC. “É fundamental a continuidade do diálogo no sentido de buscarmos soluções para os problemas das pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho pois, eles não só continuam ocorrendo nas localidades visitadas, como vem aumentando significativamente os casos de desabastecimentos e reclamações sobre a qualidade do serviço prestado pela empresa”, ressalta Lucas Vieira.




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