Aedas contrata consultoria especializada para identificar danos à saúde nos municípios da R2

A Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas) contratou uma Consultoria Técnica Especializada para o levantamento e diagnóstico das necessidades emergenciais em saúde da população atingida pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. As atividades da consultoria vão acontecer por meio da Assessoria Técnica Independente (ATI) da Bacia do Paraopeba, nos municípios da região 2 (Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Igarapé e Juatuba).


O objetivo geral da consultoria é realizar um estudo aprofundado sobre os danos à saúde enfrentados pela população atingida pelo rompimento da barragem da Vale e as necessidades emergenciais. Será realizada através de escuta qualificada dos atingidos e atingidas e de profissionais que atuam no sistema de saúde e educação dos municípios. Também está prevista a análise documental disponível na rede de saúde e nos sistemas de informação do Sistema Único de Saúde (SUS), o DATASUS. Além disso, os pesquisadores farão um diagnóstico espacial do território e da população atingida e dos serviços de saúde disponíveis.


Um dos focos da consultoria será a análise em relação à variação da oferta e dos serviços prestados aos grupos de maior vulnerabilidade: crianças, adolescentes, mulheres, povos e comunidades de Tradição Religiosa Ancestral de Matriz Africana (PCTRAMA) e também outros grupos que venham a ser identificados como tal durante o processo.


Carolyne Cosme, assessora técnica da Aedas, explica que a consultoria especializada é composta por 12 pesquisadores, em sua maioria professores universitários. “Os pesquisadores estão ligados a três universidades públicas: Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CEPESC-UERJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ-Macaé)”, complementa Carolyne. Também fazem parte do grupo de especialistas, pesquisadores do espaço terapêutico Iluminar Práticas Integrativas e da prefeitura de Mariana.


Conforme Juliano Fonseca, assessor técnico da Aedas, os trabalhos do grupo de pesquisadores começam no dia 22 de janeiro e devem acontecer até abril. Ainda não há uma data estipulada para divulgação dos resultados da pesquisa. “Esse levantamento de dados será realizado através de entrevistas individuais com as pessoas atingidas com roteiros estruturados e através do espaço coletivo “Saúde na Roda” para cada comunidade acompanhada pela Aedas com o objetivo de levantar informações relacionadas à saúde”, explicou Juliano Fonseca.


Metodologia


O estudo pretende realizar até 465 entrevistas individuais com pessoas atingidas e profissionais da saúde e da educação nos 5 municípios do estudo. Segundo cálculo amostral e considerando a base populacional de 7426 pessoas com Registro Familiar na Aedas, serão realizadas 365 entrevistas individuais com atingidos e atingidas reunidos em grupos com diferentes marcadores sociais, especialmente mulheres, idosos, negros, negras e Povos e Comunidades de Tradição Religiosa Ancestral de Matriz Africana (PCTRAMA), garantindo a distribuição dessas nos 5 municípios do estudo.


Essas pessoas serão escolhidas de forma aleatória e por conveniência, garantindo equidade de gênero, raça/cor e condição socioeconômica na composição dos grupos de entrevistados. Além disso, serão realizadas até 50 entrevistas com profissionais de saúde e até outras 50 entrevistas com profissionais de educação, totalizando 100 entrevistas individuais.


A metodologia do estudo também prevê a “Saúde na Roda”, um espaço de diálogo em grupo que será realizado, por exemplo, junto a grupos de mulheres e do PCTRAMA. Serão 61 Saúde na Roda, sendo pelo menos 1 em cada uma das 61 comunidades já identificadas e cadastradas pela Aedas nos 5 municípios do estudo. Em média, 305 pessoas serão convidadas a participar das rodas de diálogo. A ideia é que aconteçam “Saúde na Roda” presenciais e virtuais para contemplar comunidades que não tiverem acesso à internet ou aquelas que têm acesso remoto parcial.


Confira a relação de nomes e telefones dos pesquisadores da consultoria:





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