Ciranda da Aedas garante participação das crianças atingidas em GAA na Comunidade do Pires

A nova rodada dos Grupos de Atingidos e Atingidas (GAAs) que iniciou nesta segunda-feira (1º) nas regiões 1 e 2 da Bacia do Paraopeba também teve a participação das crianças atingidas. Durante a atividade presencial realizada na última quarta-feira (3) na comunidade do Pires, em Brumadinho, a equipe de pedagogia da Aedas organizou um espaço que envolve as crianças presentes: a ciranda.

Enquanto as famílias atingidas participantes do GAA recebiam e debatiam as informações sobre o processo de reparação integral, as crianças ouviam a história de um jacaré que negou a oferta em dinheiro de um homem rico que queria comprar o rio onde viviam outros diversos jacarés. O jacaré, muito inteligente, segundo a história, sabia que aquele rio valia muito mais que o dinheiro oferecido pelo homem rico. “Essa história consegue fazer um paralelo com a realidade das famílias dessas crianças atingidas que acabam compreendendo e associando o valor de suas comunidades”, explicou a pedagoga Verilucy Brito, responsável por narrar e encenar a história. Esta foi a primeira ciranda realizada nas atividades presenciais do projeto da Aedas no Paraopeba.


Além de brincar com pinturas, desenhos e jogos tradicionais, Letícia, de 5 anos, disse que vai levar alguns aprendizados da ciranda “Eu aprendi que ninguém pode comprar o rio que tem perto da casa da minha avó”, contou. A avó, Rejane Fernandes, ouviu o relato da neta e acrescentou: “Isso mostra para as crianças que elas também têm os direitos delas e conhecer esses direitos é muito importante”.


A tia Veri, como era chamada pelas crianças, concorda com Rejane e explica o papel que a ciranda cumpre nessas atividades. “A ciranda torna audível a voz das crianças e possibilita que elas se expressem a partir de maneiras próprias: um desenho, uma pintura ou uma brincadeira. A partir da ciranda, essas crianças conseguem contar a sua história e ter a sua percepção sobre como se sentem atingidas pelo rompimento da barragem”, reforça Vericuly.


Participe da rodada 3.2 do GAA


As reuniões entre as famílias atingidas e a Aedas continuam pelas próximas semanas envolvendo as comunidades de toda Bacia do Paraopeba. Nesta nova rodada, as pautas centrais são os informes do acordo fechado entre a Vale e o governo de Minas Gerais e a discussão sobre as medidas reparatórias previstas no plano de ação elaborado pela assessoria técnica.


Na comunidade do Pires, por exemplo, também foram discutidos os desafios específicos das famílias no território. “Além de ser um bairro da considerada zona quente, as famílias do Pires sofrem diariamente com a desapropriação de áreas com moradias, a falta de iluminação e a degradação das vias públicas, que acentuam cada vez mais os danos causados pelo rompimento”, comentou Patrícia Sousa, mobilizadora responsável por acompanhar as demandas na comunidade.


Ela avalia que o GAA é um espaço fundamental para garantir que a comunidade seja informada do trabalho da Aedas diante da luta pela reparação integral. “O ponto central é ter a participação dos atingidos e das atingidas e a compreensão do papel da Aedas no processo, agora com o acordo fechado. Por isso, a ciranda contribuiu muito para garantir a presença de mulheres que, possivelmente, não estariam presentes ou conseguiriam ficar até o fim da nossa reunião”, finalizou.


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