Economia, trabalho e renda pautam discussão em Roda de Diálogo da Aedas



A Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas) promoveu mais uma Roda de Diálogo (RD) na noite da última terça-feira (29), com o tema “Economia, Trabalho e Renda”. As RDs têm como objetivo apresentar e validar as informações sobre danos e medidas emergenciais propostas de forma coletiva em 374 Grupos de Atingidos e Atingidas (GAAs). Esta RD específica apresentou 27 medidas emergenciais.

Com problemas de abastecimento de água, milhares que trabalham às margens do Rio Paraopeba tiveram abalo à renda desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. É o caso de agricultores, trabalhadores rurais, meeiros e arrendatários que amargam diminuição da produção e das vendas em função do temor de contaminação. Muitos perderam hortas, roças, animais e infraestruturas como curral, criatórios e estufas. Outros se endividaram ou atrasaram quitações.

Entre as medidas emergenciais sugeridas pelas pessoas atingidas está a análise de produtos, do solo e de água de áreas destinadas à produção vegetal e animal para investigar os níveis de contaminação. Além disso, também é reivindicado o acesso a políticas públicas para a agricultura familiar e realocação consentida para outras áreas. Outra medida emergencial seria o ressarcimento dos prejuízos causados.

Além da agricultura, outras atividades tiveram prejuízo econômico, como a agropecuária, pesca e a aquicultura, comércio e serviços formais e informais. Outros tipos de trabalho também foram afetados, bem como as condições específicas das mulheres atingidas.

Custo de vida


Além do dano ao trabalho e à renda, desde o dia 25 de janeiro de 2019, muitas famílias viram seu custo de vida multiplicar, segundo relatos concedidos aos assessores técnicos da Aedas. São exemplos de aumento do custo de vida: gastos com alimentos, com transporte, exames e remédios, aluguel, entre outros.

Ramon Alves Malta, coordenador da área temática Economia, Trabalho e Renda, da Região 01, comentou sobre o aumento do custo de vida nos municípios atingidos pelo desastre. “Para além das pessoas que tiveram suas rendas reduzidas ou interrompidas, vivemos um contexto de precarização territorial das condições de vida. Por exemplo, a cesta básica ficou muito cara. Ouvimos muitos relatos de pessoas do Córrego do Feijão, Parque do Lago, região central de Brumadinho, sobre o aumento de preços dos itens básicos”, citou Ramon. Ele também dá como exemplo de ampliação dos gastos, o preço do transporte público, a demora no deslocamento, seja dentro dos municípios, quanto intermunicipal.

Após o desastre da Vale, a demanda ao Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou muito em função do crescimento de problemas de saúde, especialmente para doenças de pele e respiratória. Entre as medidas propostas está a ampliação da oferta de serviços de saúde, tanto no fornecimento de medicamentos quanto de especialidades médicas, pelo SUS ou custeados pela mineradora Vale. “Os problemas de saúde vão começar a acontecer daqui a 5 a 10 anos em função do consumo da água contaminada. Estou com medo do que pode acontecer com a minha saúde”, diz Carlucio Silva, morador do bairro Satélite, em Juatuba.

Medidas emergenciais

Janderson Santana, coordenador do área temática Economia, Trabalho e Renda, da Região 02, explica que as medidas emergenciais visam atenuar os impactos e possibilitar que as pessoas atingidas possam ter condições de sobrevivência até o final do processo de reparação. “São importantes para garantir que as pessoas possam tocar suas vidas com dignidade, sem precisar fazer um acordo qualquer com a mineradora Vale, até que haja reparação integral. São medidas que podem reduzir a questão da contaminação da água e do solo, que tratam da questão da produção e comercialização e do trabalho. Essas medidas também abarcam o trabalho formal ou informal, tanto de pessoas que deixaram de desenvolver atividades ou perderam seus postos de trabalho”, contou.

Entre as sugestões de medidas emergenciais também está a distribuição de cestas básicas e oferta de alimentos subsidiados com a intenção de garantir a segurança alimentar. Também investimentos em infraestrutura pública, como transporte público, saneamento básico, iluminação, restaurante popular, creches, arborização e espaços de lazer. As medidas emergenciais apresentadas e validadas pelos atingidos/as, tem como objetivo construir condições e espaços que gerem trabalho, renda e autonomia.

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As Rodas de Diálogo acontecem de forma virtual e reúnem moradores de Brumadinho (Região 1), Betim, Igarapé, Juatuba, Mário Campos e São Joaquim de Bicas (Região 2). Nas RDs, as pessoas atingidas devem referendar o documento apresentado pela Aedas para que ele seja encaminhado às Instituições de Justiça.


O esforço das Rodas de Diálogo é garantir que as pessoas atingidas tenham acesso às principais questões que estão sendo discutidas no processo judicial. O papel da Aedas é justamente auxiliar que a população possa opinar e intervir sobre os rumos do processo de reparação integral.


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