Falta de água em Brumadinho: cerca de 700 famílias estão sem água há 48 horas

Moradores e moradoras de Brumadinho estão sem água para uso doméstico desde o último sábado (5), sofrendo com a insegurança hídrica provocada pelo rompimento da barragem da Vale, ocorrido em janeiro de 2019. Cerca de 700 famílias, moradoras do bairro Tejuco, ficaram sem acesso à água devido a contaminação do reservatório que abastece a localidade após obras de reparação realizadas pela mineradora Vale.


A denúncia chegou ao conhecimento da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas) que acompanha de perto a situação e que encaminhou no mesmo dia uma solicitação de fornecimento de água mineral para toda a comunidade do Tejuco.


O coordenador territorial da Região 01 (Brumadinho), Lucas Vieira, explica que desde maio de 2019, a mineradora é obrigada a fornecer água potável para consumo humano em casos emergenciais no prazo máximo de 48 horas.


“Todos os moradores ficaram sem água no sábado pois só saía lama das caixas d'água. Então os moradores pediram a ajuda da Aedas e entraram em contato com a Vale solicitando que houvesse fornecimento de água mineral e caminhão pipa para limpeza da tubulação. A situação é muito séria, a gente vê lama no reservatório e na tubulação. Os moradores afirmam ainda, que havendo limpeza da tubulação, os moradores terão que arcar com a limpeza de suas próprias caixas d´água. A Vale não tem respondido à Aedas nem à Defensoria, algo bem grave”, comenta Lucas Vieira.


Atingidos e atingidas informaram à Aedas que no último sábado foi realizada uma obra de reparação na nascente que abastece o reservatório com a retirada de lama e minério. Ainda segundo os moradores, a limpeza foi realizada sem equipamentos apropriados e isso provocou a contaminação com sedimentos (lama e minério) do reservatório, da tubulação e das caixas d´água das casas das pessoas atingidas.



“Estamos tendo que lidar com essa situação. Você acha que 700 famílias merecem isso? Passou a sair lama das torneiras, as pessoas estão sem água para fazer comida e lavar roupa”, conta o atingido Evandro França de Paula.


O reservatório fica localizado às margens de uma estrada de chão batido com intenso tráfego de caminhões da Vale. Obras de proteção também foram feitas para tentar minimizar e segurar sedimentos da estrada para evitar que contamine o reservatório que abastece toda a comunidade, mas a estrutura não resistiu e cedeu no último sábado (05).



Dois caminhões pipas foram enviados por representantes da Vale para fazer a limpeza da tubulação, mas os moradores e as moradoras apontam que a situação é urgente e que a quantidade de água tem sido insuficiente. “Seria urgente fazer a higienização do reservatório, limpeza de toda a rede e das caixas d´água de cada família. Seriam necessários, no mínimo, seis caminhões pipa”, defende Evando. Os moradores também informaram que a empresa forneceu 1.400 fardos de água para as 700 famílias do Tejuco. Cada fardo tem 9 litros.


A Aedas oficiou a Vale para garantir a demanda da comunidade de Tejuco e provocou a Defensoria Pública Estadual, que também oficiou a Vale, no sábado e no domingo exigindo respostas e medidas de urgência. Até o momento, a Vale não respondeu oficialmente, o que gera mais indignação para os moradores.


Outras ações da Aedas


A Aedas e as outras ATIS (Nacab e Guaicuy) que atuam na Bacia do Paraopeba elaboraram um relatório que mostra a insegurança hídrica provocada na região desde o rompimento da barragem da Vale que contaminou a calha do rio Paraopeba. Ao mesmo tempo, técnicos e técnicas da Aedas têm acompanhado visitas da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) para averiguar casos de irregularidade no fornecimento de água e também de má qualidade relatados pelas pessoas atingidas.


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