Informações divulgadas sobre suposta recuperação do Rio Paraopeba podem expor saúde de atingidos

Nos últimos dias, circularam notícias na imprensa mineira sobre uma suposta recuperação da qualidade da água do Rio Paraopeba. As três Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) que atuam na região do Paraopeba - a Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), o Instituto Guaicuy e o Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) - denunciam a irresponsabilidade dessa informação.


As afirmações veiculadas se baseiam em um estudo contratado pela própria Vale e divulgado pela empresa. A divulgação, às vésperas de uma importante audiência judicial, causa estranhamento. Na audiência, que acontece nesta terça-feira (6), serão discutidos aspectos importantes a respeito do pagamento do Auxílio Emergencial, que é direito das vítimas do crime da Vale sobre o rio Paraopeba, de Brumadinho até a represa de Três Marias, e que têm data marcada para terminar, em outubro deste ano. O fim do auxílio vem sendo contestado pelas comunidades atingidas, já que as consequências do rompimento da barragem da Córrego do Feijão persistem por toda a bacia do Rio Paraopeba.


Foto: Acervo do Instituto Guaicuy


Apesar do estudo ter sido elaborado com o levantamento de dados ocorrido em abril, seus resultados foram divulgados apenas agora, dias antes da decisão judicial deste mês de outubro. Além disso, os resultados dos estudos apresentados nas matérias são questionáveis, visto que esta não é uma pesquisa independente e dificilmente produziria provas contra a sua contratante, que é a mineradora Vale S.A.. Desta maneira, não é possível certificar a qualidade e confiabilidade do estudo em questão.


De acordo com as matérias, o estudo envolveu apenas quatro campanhas de coletas para análises, sendo que três campanhas foram realizadas em períodos secos e uma no mês de março, já no fim do período chuvoso. As gerências responsáveis pela qualidade da água das três ATIs que atuam nas áreas impactadas consideram que isto é uma falha metodológica importante e que compromete a capacidade de se tirar conclusões sobre a qualidade da água do Rio Paraopeba, pois a disponibilidade de resultados que não abrangem o auge do período chuvoso tende a mascarar reais alterações sentidas no curso d’água.


As matérias sugerem também que, atualmente, o esgoto é mais nocivo ao rio do que o rompimento da barragem, o que não condiz com a realidade. Estes metais normalmente não são encontrados em grandes concentrações no esgoto doméstico. Além disso, resultados de análise de água realizadas pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) demonstram que houve acréscimo nas concentrações de diversos metais encontrados na água do rio após o rompimento da barragem.


Diversas instituições, tais como as Assessorias Técnicas Independentes (ATIs), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG), a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), vêm desenvolvendo estudos independentes sobre a contaminação do rio Paraopeba. Alguns desses estudos têm mostrado que, de fato, a água do rio permanece inadequada para usos diversos, como, por exemplo, consumo humano, dessedentação de animais, irrigação, pesca e mesmo para recreação.


O IGAM mantém a recomendação de que a água do Rio Paraopeba não deve ser utilizada no trecho que abrange os municípios de Brumadinho até o limite da Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo, em Pompéu (aproximadamente 250 km de distância do rompimento). As ATIs apoiam e reforçam a orientação para que as pessoas não acessem e utilizem a água do rio.


O Trabalho das ATIs


A atuação das ATIs na calha do Paraopeba iniciou em abril deste ano, sendo executada por três organizações experientes na defesa dos direitos de comunidades atingidas por barragem: Aedas (Regiões 1 e 2, que abrangem os municípios de Brumadinho, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, Igarapé e Juatuba), o Nacab (Região 3 - Esmeraldas, Florestal, Pequi, Pará de Minas, São José da Varginha, Fortuna de Minas, Maravilhas, Papagaios, Caetanópolis e Paraopeba) e o Instituto Guaicuy (Regiões 4 e 5 - Pompéu, Curvelo e demais municípios banhados pelo lago da Usina Hidrelétrica de Três Marias).


A divisão do território em cinco regiões que abrangem o percurso do rio Paraopeba soma 26 municípios mineiros. As ATIs constituem um instrumento que garante a participação ampla e informada das comunidades no processo de levantamento e mensuração das perdas e danos, frente à disparidade de poderes existentes entre as famílias atingidas e a empresa Vale.


Destacamos que as assessorias foram contratadas por determinação da Justiça e são um direito das pessoas e comunidades atingidas. Aedas, Nacab e Guaicuy foram eleitas pelas comissões locais de moradores para acompanhar tecnicamente a população na busca por reparação dos prejuízos provocados pelo rompimento.


Mais informações:


AEDAS

31 9 9962-6456 (Região 01 - Brumadinho)

31 9 9952-9587 (Região 02 - Médio Paraopeba)

aedasmg.org


NACAB

31 995302083 (Região 03) -

Leonardo Vilaça Dupin - Assessor de Imprensa

nacab.org.br


INSTITUTO GUAICUY

31 9 9313 3610 (Região 04 e 05)

Fernanda Brescia - Equipe de Comunicação

guaicuy.org.br


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