Mulheres atingidas do Paraopeba se unem na luta por direitos, por reparação e pela vida

A Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas) compreende e reconhece que na nossa sociedade é diferente ser homem e ser mulher. Vivemos em uma sociedade patriarcal, machista e sexista em que as mulheres sofrem mais com a desigualdade, a discriminação e a violência e estão numa situação de grande vulnerabilidade.


Mesmo diante de tantas dificuldades, as mulheres cumprem um papel fundamental provendo o cuidado e o sustento de suas famílias e protagonizam os processos de luta pela reparação integral na Bacia do Rio Paraopeba frente ao desastre sociotecnológico da Mina Córrego do Feijão da mineradora Vale em Brumadinho.


A Aedas ainda tem muito a construir e conhecer COM as mulheres atingidas. Mas certamente podemos afirmar que as mulheres atingidas são pluralidades e diversidades: São mulheres negras, indígenas, amarelas, brancas. São mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultas, idosas. São mulheres rurais e urbanas. São mulheres pescadoras, agricultoras familiares, diaristas, domésticas, professoras, vendedoras, recepcionistas, comerciantes. São mulheres quilombolas, de matriz religiosa africana, camponesas, sitiantes, ribeirinhas e tantas outras.


São as MULHERES que compartilhavam uma relação profunda com o Rio Paraopeba, com a água, com a natureza, seja para sobreviver economicamente, para lazer, para sua conexão espiritual, de diferentes formas e ainda hoje sofrem diariamente com os diversos impactos e danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho. São mulheres que se unem para a luta por direitos, por reparação e pela vida.


É por isso que no plano de trabalho da Aedas foi garantida a criação da Equipe de Monitoramento de Gênero com o objetivo de dialogar com as mulheres atingidas e construir junto com elas as estratégias de identificação de como foram profundamente impactadas por danos que atingiram e ainda atingem de forma específica as mulheres.


PARTICIPAÇÃO


A participação das mulheres no processo de reparação integral, no levantamento de danos, nos espaços de participação informada, como nas reuniões dos grupos de atingidos/as e nas rodas de diálogos são fundamentais para que a voz e os danos que as mulheres sofrem sejam ouvidos e reparados de forma integral. É importante que as mulheres tenham todas as informações para que possam exigir seus direitos e principalmente possam acessá-los.


E, assim tem sido, a presença massiva das mulheres nos espaços virtuais e presenciais de participação e construção coletiva da AEDAS, nas denúncias dos danos causados pelo rompimento da barragem de Brumadinho nas vidas das pessoas atingidas, com comprometimento e força. E elas podem ainda muito mais.


Neste momento estamos na rodada de GAA Intermediário com a discussão das medidas emergenciais prioritárias para as mulheres:


· Enfrentamento a violência praticada contra as mulheres, implantação de Delegacias da Mulher nos municípios, casas de acolhimento de vítimas de violência;

· Cuidado com a saúde física e psicossocial das mulheres e das crianças e idosas/os e;

· Emprego e geração de renda para as mulheres, com criação de cursos para capacitação profissionalizante, programas de turismo rural gerido pelas mulheres.


No último dia 4 de fevereiro foi firmado o acordo entre a Vale e o Estado e agora mais do que nunca é o momento de as mulheres se organizarem para atuar efetivamente nos processos de participação, decisão e controle social garantindo que as ações e programas sejam efetivamente voltados para reparação integral. E a Equipe de Monitoramento de Gênero da AEDAS lado a lado com as mulheres atingidas vai assessorá-las na construção dessa caminhada.


Assim, nosso convite é que possamos a partir de agora organizar em cada comunidade ou bairro dos territórios atingidos os Grupos de Mulheres Atingidas para dialogar e construir a caminhada pela reparação integral.











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