Seminário resgata a memória da vida em Itatiaiuçu

“Eu me apaixonei pelo rio, pela água, pela tranquilidade”, “Eu vim pra cá por causa de uma desilusão”, “Vim para Pinheiros atrás de oportunidades de trabalho e vida tranquila”, “Eu nasci aqui e é o melhor lugar para viver”. Não importa o motivo, não importa quando chegou, cada um e cada uma escolheu vir para Itatiaiuçu e construir sua vida. Para descansar, para trabalhar, para curar uma dor de amor. O que importa é a escolha de vir e partilhar da vida.



Este tom de partilha foi o que guiou o seminário temático “Minha vida em Itatiaiuçu – para idosas e idosos” realizado no sábado, 18 de janeiro. O encontro foi marcado pela construção de uma linha do tempo da vida das pessoas em Itatiaiuçu. Foi um resgate da memoria de cada um e cada uma sobre sua chegada ao município, o que os trouxe à cidade e como era a vida antes do acionamento do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM).


O seminário ainda realizou uma escuta sobre a vida das pessoas idosas de Itatiaiuçu e levantou as demandas dos idosos e idosas da região para compreender quais direitos foram violados, os danos e sofrimentos gerados com o acionamento do PAEBM. Por fim, o seminário buscou construir, coletivamente, as alternativas para buscar uma reparação justa.



Geraldo Rodrigues da Silva, atingido pelo PAEBM e morador da comunidade Retiro Colonial II, desenhou na sua linha de tempo duas malas: uma de quando chegou, em 2005, vindo encantado pela área verde e a possibilidade de novas oportunidades e outra para 2019-2020 pela incerteza de continuidade da vida como está a comunidade, após o acionamento do plano. “Lembrei de quando cheguei aqui, vim sozinho, buscando uma vida nova e agora a incerteza de ficar. Já fiz minha mala, pensei em ir embora. Mas tenho minha casa que construí aqui, minha vida. Onde escolhi morar”.


E não é só o atingido Geraldo que já pensou em fazer as malas e partir. Durante o seminário outras pessoas atingidas mencionaram o desejo de partir, mas não é fácil, há muitas memórias. “Aqui tenho lembranças da minha mãe, dela na chácara. E estas lembranças o dinheiro não paga. Minha mãe morreu e é ali que tenho a lembrança dela. Sair daqui é como ganhar um tiro”, desabafou o atingido Wellington de Pinheiros, que hoje não pode acessar sua casa por estar na área de risco.


Em fevereiro completa um ano do acionamento do Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração. As famílias das comunidades de Itatiaiuçu vivem a vida provisória, mas sonham com a reparação integral e o retorno à vida que tinham antes.



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